Liturgia diária
Santa Catarina de Sena, virgem, Doutora da Igreja, Padroeira da Europa,+1380
Primeira leitura
1.ª Carta de São João 1,5-10.2,1-2.
Caríssimos: Esta é a mensagem que ouvimos de Jesus Cristo e vos anunciamos: Deus é luz e nele não há trevas.
Se dissermos que estamos em comunhão com Ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
Mas, se caminharmos na luz, como Ele vive na luz, estamos em comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus, seu Filho, purifica-nos de todo o pecado.
Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos e a verdade não está em nós.
Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda a maldade.
Se dissermos que não pecamos, fazemos dele um mentiroso e a sua palavra não está em nós.
Meus filhos, escrevo-vos isto, para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, nós temos Jesus Cristo, o Justo, como advogado junto do Pai.
Ele é a vítima de propiciação pelos nossos pecados, e não só pelos nossos, mas também pelos do mundo inteiro.
Salmo
Livro dos Salmos 103(102),1-2.3-4.8-9.13-14.17-18a.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e todo o meu ser bendiga o seu nome santo.
Bendiz, ó minha alma, o Senhor
e não esqueças nenhum dos seus benefícios.
Ele perdoa todos os teus pecados
e cura as tuas enfermidades.
Salva da morte a tua vida
e coroa-te de graça e misericórdia.
O Senhor é clemente e compassivo,
paciente e cheio de bondade.
Não está sempre a repreender,
nem guarda ressentimento.
Como um pai se compadece dos seus filhos,
assim o Senhor Se compadece dos que O temem.
Ele sabe de que somos formados
e não Se esquece de que somos pó da terra.
A bondade do Senhor permanece para sempre
sobre aqueles que O temem
e a sua justiça sobre os filhos dos seus filhos,
sobre aqueles que guardam a sua aliança.
Evangelho
Evangelho segundo São Mateus 11,25-30.
Naquele tempo, Jesus exclamou: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.
Sim, Pai, Eu Te bendigo, porque assim foi do teu agrado.
Tudo Me foi dado por meu Pai. Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho O quiser revelar.
Vinde a Mim, todos os que andais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei.
Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas.
Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve».
Comentário do dia
A união com Deus e a salvação das almas
Ao transcender-se a si mesma, uma alma atormentada por um profundo desejo da honra de Deus e da salvação das almas começa a exercitar-se durante algum tempo na prática das virtudes comuns e recolhe-se no santuário interior do autoconhecimento, a fim de melhor conhecer a bondade de Deus para com ela. Pois o amor segue o conhecimento e, ao amar, a alma procura seguir a verdade e revestir-se dela. Nada permite a uma criatura experimentar melhor esta verdade, nada a ilumina tanto como a oração humilde e contínua, fundamentada no conhecimento de si mesma e de Deus. A oração assim entendida e praticada une a alma a Deus.
Seguindo os passos de Cristo crucificado, através do desejo, do afeto e da união de amor, a alma transforma-se. E foi precisamente isso que Cristo quis ensinar-nos ao dizer: «Quem Me ama guardará a minha palavra, e meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada» (Jo 14,23); encontramos palavras semelhantes em muitas outras passagens. Uma vez que Cristo é a Verdade, estas palavras mostram-nos claramente que, através do amor, a alma se torna una com Ele.
Para ilustrar isto com mais clareza, lembro-me de uma serva de Deus me ter contado que, num grande êxtase de espírito que experimentou durante a sua oração, Deus, rasgando os véus, lhe permitiu contemplar o amor que tem pelos seus servos, e lhe disse, entre outras coisas: «Abre o olhar da inteligência e olha para Mim: verás a dignidade e a beleza da minha criatura racional. Além da beleza que dei à alma, criando-a à minha imagem e semelhança, contempla aqueles que se revestiram da veste nupcial, isto é, da caridade, adornada com a multiplicidade das virtudes: estes são um comigo pelo amor».